Conectividade em rodovias: TIM pede atenção especial da Anatel ao roaming

Entenda o que é roaming em rodovias, por que o tema ganhou importância e como uma possível regulamentação pode melhorar a conectividade nas estradas brasileiras

A conectividade nas rodovias brasileiras está cada vez mais ligada à segurança, ao transporte, ao rastreamento de veículos e ao funcionamento de diferentes serviços que dependem da comunicação móvel. Por isso, um tema que pode ganhar bastante importância nos próximos anos é o roaming entre operadoras em rodovias.

A TIM defendeu que a regulamentação do compartilhamento de redes e do roaming em estradas seja tratada como uma prioridade pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) na elaboração da Agenda Regulatória 2027–2028.

A manifestação foi apresentada durante a Consulta Pública nº 25 da Anatel, que recebe contribuições para definir os assuntos que deverão ser tratados pela agência no próximo ciclo regulatório.

Mas afinal, o que isso significa para quem utiliza um celular, rastreador GPS ou outro equipamento conectado durante uma viagem?

O que é roaming em rodovias?

De forma simples, o roaming permite que um dispositivo utilize a rede de outra operadora quando a rede da sua própria operadora não está disponível em determinada região, desde que exista um acordo entre as empresas.

Imagine, por exemplo, um veículo equipado com um rastreador GPS 4G viajando por uma rodovia.

Se o chip m2m utilizado pelo rastreador estiver conectado à Operadora A e, em determinado trecho, essa rede deixar de ter cobertura, o equipamento poderá ficar sem comunicação. Em um cenário de roaming autorizado, o dispositivo poderia utilizar uma rede parceira disponível naquele local.

Isso pode ser especialmente importante em rodovias, áreas rurais e regiões de baixa densidade populacional, onde a cobertura das operadoras pode variar bastante de um trecho para outro.

📶 Por que o roaming nas rodovias é importante?

Quem utiliza uma rodovia sabe que a cobertura de celular pode mudar rapidamente.

É possível sair de uma área com sinal excelente e, poucos quilômetros depois, entrar em uma região onde determinada operadora praticamente não possui cobertura.

Esse problema ganha uma dimensão ainda maior quando falamos de dispositivos que precisam permanecer conectados durante todo o percurso, como:

  • Rastreador veicular;
  • Sistemas de telemetria;
  • Rastreamento de cargas;
  • Câmeras conectadas;
  • Sistemas de pedágio eletrônico;
  • Dispositivos IoT;
  • Comunicação entre veículos e infraestrutura;
  • Sistemas utilizados por concessionárias de rodovias.

Para esses equipamentos, ficar alguns minutos sem comunicação pode significar perda de informações importantes.

No caso de um rastreador veicular, por exemplo, a ausência de sinal pode impedir temporariamente o envio da localização para a plataforma de rastreamento mais seus dados de localização, podem ainda permanecem salvos dentro do dispositivo.

É importante lembrar que roaming não elimina as áreas sem cobertura. Ele pode ampliar as possibilidades de conexão quando existe uma rede de outra operadora disponível e acordos que permitam sua utilização.

TIM quer que o tema seja tratado como prioridade

Atualmente, a proposta da Anatel coloca o tema do roaming em rodovias como uma iniciativa de prioridade ordinária.

A TIM, porém, apresentou uma contribuição defendendo que o assunto receba tratamento prioritário.

A empresa considera que ampliar a continuidade da conectividade nas estradas é importante para os usuários de telefonia móvel e para os diferentes serviços que dependem das redes celulares.

A proposta também destaca que eventuais regras devem considerar aspectos técnicos e econômicos, evitando que uma obrigação única seja aplicada de maneira indiscriminada a todas as operadoras.

Entre os pontos que devem ser considerados estão:

  • Compartilhamento de infraestrutura;
  • Interoperabilidade entre redes;
  • Reciprocidade entre operadoras;
  • Não discriminação;
  • Viabilidade técnica;
  • Sustentabilidade econômica;
  • Áreas onde existe sobreposição de cobertura;
  • Acordos entre as prestadoras.

A previsão mencionada no planejamento da Anatel é de que um regulamento relacionado ao roaming em rodovias possa ser concluído no primeiro semestre de 2027.

Como isso pode afetar o rastreamento veicular?

Esse é um dos pontos mais interessantes para quem trabalha com rastreamento GPS e Internet das Coisas (IoT).

Atualmente, existem diferentes tipos de chips utilizados em rastreadores. Alguns trabalham exclusivamente com uma operadora, enquanto soluções multioperadoras ou de roaming podem permitir que o dispositivo utilize diferentes redes disponíveis, dependendo da tecnologia, do contrato e da região.

Porém, mesmo um chip considerado multioperadora não significa necessariamente que o equipamento terá acesso automático a todas as redes existentes.

Existem regras de conexão, acordos entre operadoras, configurações do chip, cobertura disponível e características do próprio equipamento.

Por isso, uma eventual regulamentação do roaming em rodovias poderá ser relevante para o futuro da conectividade M2M e IoT, especialmente em aplicações que percorrem grandes distâncias.

Para uma transportadora, por exemplo, manter um caminhão conectado durante uma viagem de milhares de quilômetros pode ser muito mais importante do que simplesmente ter uma conexão rápida.

Continuidade é um dos principais fatores.

Rodovias conectadas vão muito além do celular

O debate sobre conectividade nas estradas também está relacionado à transformação das rodovias tradicionais em rodovias inteligentes.

Hoje, uma infraestrutura conectada pode envolver:

  • Câmeras de monitoramento;
  • Sensores;
  • Painéis eletrônicos;
  • Iluminação inteligente;
  • Sistemas de pedágio;
  • Monitoramento de tráfego;
  • Rastreamento de veículos;
  • Telemetria;
  • Comunicação entre veículos e infraestrutura;
  • Sistemas de atendimento a emergências.

Quanto maior a quantidade de dispositivos conectados, maior também é a necessidade de uma rede confiável.

Por isso, a discussão sobre roaming e compartilhamento de redes em rodovias não interessa apenas às operadoras de telefonia. Ela também pode impactar empresas de transporte, concessionárias, empresas de rastreamento, gestores de frotas e usuários das estradas.

TIM também quer mudanças nas regras para equipamentos de radiofrequência

A contribuição da TIM à consulta pública não ficou limitada ao roaming.

A empresa também defendeu que a revisão do Regulamento sobre Equipamentos de Radiocomunicação de Radiação Restrita receba prioridade na agenda da Anatel.

Esse regulamento envolve equipamentos que utilizam determinadas faixas de radiofrequência sob condições específicas.

A revisão deverá atualizar, entre outros pontos, as faixas que podem ser utilizadas por esses equipamentos e as respectivas condições de uso.

O assunto também possui relação com discussões envolvendo a utilização da faixa de 6 GHz, que vem ganhando importância com a evolução das tecnologias de conectividade sem fio.

E a interconexão entre operadoras?

Outro ponto abordado pela TIM foi o Regulamento Geral de Interconexão (RGI).

A interconexão é fundamental para permitir que diferentes redes de telecomunicações possam se comunicar entre si.

A empresa defende uma revisão dos prazos atualmente previstos para determinadas implementações de interconexão.

Entre as propostas apresentadas está a ampliação do prazo de 90 para pelo menos 150 dias, dependendo das características e da complexidade do projeto.

Segundo a argumentação apresentada, uma interconexão pode envolver muito mais do que simplesmente conectar duas redes.

Podem ser necessárias etapas como:

  1. Dimensionamento do tráfego;
  2. Definição dos pontos de interconexão;
  3. Negociação contratual;
  4. Configuração dos equipamentos;
  5. Testes entre as redes;
  6. Migração;
  7. Monitoramento da estabilidade da conexão.

Em projetos mais complexos, especialmente aqueles que envolvem grandes volumes de dados, infraestrutura adicional ou participação de terceiros, o planejamento pode exigir mais tempo.

O que podemos esperar para o futuro da conectividade nas rodovias?

A discussão proposta pela TIM mostra uma tendência importante: a conectividade nas rodovias está deixando de ser apenas uma questão de oferecer sinal de celular ao motorista.

Cada vez mais, as estradas dependem de redes móveis para transportar informações entre veículos, sensores, câmeras, centros de controle e plataformas digitais.

Para o setor de rastreamento veicular, isso é particularmente importante.

Um equipamento pode ter GPS de excelente qualidade, uma plataforma moderna e todos os recursos necessários para realizar o monitoramento. Porém, se não conseguir transmitir os dados porque está em uma região sem cobertura compatível, sua comunicação ficará comprometida naquele momento.

É justamente por isso que cobertura de sinal, tecnologia 4G/5G, qualidade da rede e escolha do chip M2M devem ser considerados em conjunto na hora de escolher uma solução de rastreamento.

Roaming pode ser uma peça importante nessa evolução

Ainda existem etapas regulatórias e técnicas antes que eventuais novas regras produzam efeitos práticos.

Por isso, não significa que todo rastreador passará automaticamente a utilizar qualquer operadora disponível nas estradas.

O que existe neste momento é uma discussão sobre como criar condições para melhorar a continuidade da conectividade móvel nas rodovias brasileiras.

E esse debate tende a ganhar ainda mais relevância à medida que aumentam o número de veículos conectados, sistemas de telemetria, dispositivos IoT e serviços digitais utilizados nas estradas.

Rastreamento e conectividade caminham juntos

Para quem utiliza um rastreador veicular, é importante entender que o GPS e a conexão móvel desempenham funções diferentes.

O GPS determina a posição do equipamento utilizando sinais de satélite. Já a rede móvel — 4G, 5G ou outra tecnologia compatível — é responsável por permitir que essas informações sejam transmitidas para o servidor e, posteriormente, exibidas na plataforma de rastreamento.

Por isso, ter GPS não significa necessariamente ter comunicação.

Em uma região sem cobertura celular compatível, o equipamento pode continuar obtendo sua localização, mas poderá não conseguir enviá-la imediatamente para a plataforma.

Esse é um dos motivos pelos quais a evolução da infraestrutura de telecomunicações brasileira é tão importante para o futuro do rastreamento GPS, IoT, M2M e telemetria.

Em resumo

A proposta de colocar o roaming em rodovias entre as prioridades da Anatel pode representar um passo importante para melhorar a conectividade em grandes corredores rodoviários.

Para o motorista, isso pode significar uma conexão mais contínua.

Para empresas de transporte, pode representar maior disponibilidade de dados.

Para concessionárias, abre espaço para ampliar projetos de rodovias inteligentes.

E para o setor de rastreamento e IoT, pode contribuir para tornar os dispositivos conectados mais confiáveis durante longos deslocamentos.

Ainda há um caminho regulatório e técnico pela frente, mas uma coisa já está clara: quanto mais conectados ficam os veículos e as rodovias, mais importante se torna garantir que essa conexão não desapareça justamente nos trechos onde ela é mais necessária.